segunda-feira, 2 de março de 2009

Capão Pecado


Por uma hironia do destino, hoje eu quase fui parar em Capão Redondo.
Fui pra tão longe hoje que quando cheguei ao Largo da Batata, me senti em casa. E não é exagero. É sério.
Isso é São Paulo...
Mas, enfim, esse nariz de cera foi pra introduzir o livro de hoje: Capão Pecado, do Ferréz.
Primeiro porque eu admiro muito o autor. O Ferréz escreve artigos pra Caros Amigos há um tempão, já pubicou alguns livros, sempre tratando da periferia e suas condições de vida e eu já assisti a uma palestra dele.
Ele é ótimo. Um cara super inteligente, que veio da periferia, provando que força de vontade e uma dose de coragem valem muito mais do que uma PUC da vida.
Ele tem um discurso de esquerda que não se trata de uma esquerda retrógrada e sim coerente. Ele sim pode falar de desigualdade social.

Capão Pecado narra a vida em Capão Redondo - região bem periférica de São Paulo - por meio de um romance em que o protagonista se apaixona pela namorada do melhor amigo, que é um sujeito bem barra pesada. A partir daí, a história se desenrola de modo que a vida em Capão Redondo seja retratada. O romance á apenas uma maneira de levar o leitor a tentar entender como é a vida no lugar. E eu aviso: Apesar de ser um romance, o livro é bem pesado. Pra quem se sensibiliza com as desigualdades de um mundo cruel, vai ficar bem impressionado. Eu li há alguns meses já, e me lembro de ter ficado pensando por dias na história. E no lugar. E nas condições de vida - ou na tentativa de vida - em que as pessoas passam pra sobreviver.
Vale a pena pra gente ver o quão pequenos somos. Em muitos momentos.
E pra repensar em valores.


Próximo livro do Ferréz: Ninguém é inocente em São Paulo. Só não comecei ainda porque deixei em Campinas. Mas não poderia ser mais propício.




Um comentário:

marina aranha disse...

Esse livro foi leitura obrigatória, pra mim, no colegial. No primeiro ano, eu acho.
E costumo não gostar de livros impostos. Esse foi um dos poucos.
Lembro que pais reclamaram da linguagem e de algumas cenas do livro.
Mas eu acho que nada choca mais que a verdade.
Ainda mais aquela que tá fora dos murões e cerconas de colégios cheio de gente que só se preocupa com sua vidinha.
Não todas, claro.
Mas algumas. Poucas.
E que fazem muito barulho por nada...
Beijo, Mazão!